Yvania Ambrozino: uma estrela brasileira na Califórnia

imageYvania Ambrozino é uma artista paulista que vem se destacando no mundo da arte. O interior de São Paulo para Oakland, protagonizou diversas exposições na Califórnia. Sempre com uma veia que caracteriza as questões do gênero, sua obra virtual MOLAA’s FridaMania foi selecionada para o Women’s Day Festival 2014, no Museum of Latin American Art Long Beach, CA. De forma muito humilde a arista diz que o próprio amor é matéria para sua criação. Suas influências são sempre perceptivas: atravessam sua subjetividade e envolvem tudo o que ela vê, sente e vivencia.  Enquanto mulher, destaca as questões femininas no cotidiano. O tipo de obra que é difícil de se enquadrar: pendula entre suas inspirações na art deco, no surrealismo, e incorpora as significações dos mais diversos materiais: jornais, revistas,embalagens, cores vivas, tecidos, tendências. A artista brinca entre técnicas digitais e manuais e as relações que compõe colagens de cenas cotidianas entre o figurativo e o abstrato. Isso fica claro num terreno fértil, num zeitgeist californiano que de tão alegre e vivo nos remete aos fauvistas.

As analogias seriam intermináveis: uma estrela paulista em Oakland brilhando ao lado de gigantes: em um hub artístico e cultural sem precedentes.

Sem mais delongas, Yvania é nossa convidada para uma entrevista em que conta um pouco do seu percurso, inspirações e próximas empreitadas.

Confira:

Kultur – Oi Yvania! É uma honra podermos realizar essa entrevista. Você poderia falar um pouco do seu percurso? Como foi parar em Oakland? Quem é a pessoa por trás da artista?

Yvania Ambrozino: Oakland foi um convite para um feriado e acabei me apaixonando pela cidade, geografia do lugar e a diversidade das pessoas. Senti que Oakland seria meu lugar. Aqui ganhei muita qualidade de vida. Morava anteriormente em New York e sentia muita falta do calor, de ter mais contato com a natureza. Na minha viagem de mudança para cá percorri vários estados; foram 15 dias acompanhada da minha irmã e sobrinho que vieram do Brasil para me acompanhar nesse trajeto. Foi uma viagem bem interessante. Oakland me trouxe mais cor, mais calor e mais suavidade. Meu dia a dia aqui é simples, mas de forma alguma simplista: gosto de descobrir coisas que são produzidas aqui, andar a pé, cozinhar e apreciar p contexto artístico da cidade.

Acho que essa pessoa por trás da artista é simples: cheia de vida.

Kultur – Recentemente, a conceituada revista ARTiculation[1] se referiu a sua obra como algo que transcende as categorias formais, destoante das classificações convencionais. O fato é que encontramos significações características: as questões femininas estão muito presentes nela. Quais são suas inspirações?

Yvania Ambrozino – Uma casa cheia: éramos em dez irmãos, dez seres humanos distintos, aonde não havia uma forma a ser seguida e sim singularidades. Acho que essa possibilidade de ver diversos caminhos, sendo eu a caçula dos dez, ficou no meu modo de ver a vida e consequentemente nessa liberdade na criação. A inspiração para questões femininas talvez venha do fato de eu pertencer a uma família com muitas mulheres, mãe e irmãs. Mulheres fortes que souberam traçar suas vidas com alegria e união, mesmo com todas as limitações sofridas num mundo machista. Ser mulher me traz uma perspectiva da vida aonde dores e prazeres são parte de lutas diárias para estar no mundo.

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Kultur – Não podemos deixar de pensar em uma Frida Kahlo e nas questões identidárias, que perpassavam tanto gênero quanto geografia: pairavam, política e ideologicamente entre o México e os Estados Unidos. E você Yvania? Os traços, as cores, nos evocam uma expressão bem brasileira em uma Oakland que é um hub artístico, cosmopolita e progressista. Como você se vê nesse contexto?

Yvania Ambrozino – As cores trazem harmonia em minha arte, e absolutamente remetem a traços do Brasil. Outro dia que eu estava trabalhando com um grupo de artista e o exercício foi fazer esculturas da ilustre artista Louise Nevelson. Porém, tivemos que usar só preto e branco, foi uma tarefa muito difícil para mim.

Frida Kahlo me ensinou que não é preciso ser uma mulher ou uma feminista para conduzir-se de uma forma que reflete e apoia seus ideais. Eu luto todos os dias pela minha liberdade, visão política e  para continuar o apoio ao reconhecimento de mulheres que fizeram tantas contribuições importantes para o mundo da arte ao longo da história.

Sinto liberdade em Oakland, assim como Frida sentiu no México: penso no nosso amor pelas mulheres e também porque, parafraseando Frida: “eu sou o assunto que conheço melhor”.

Kultur – Como é o seu cotidiano em Oakland e quais são os seus próximos projetos? Esperamos uma exposição no Brasil…

Yvania Ambrozino – Meu cotidiano em Oakland se divide em trabalho, ateliê e afazeres pessoais. Nesse dia a dia, passando por ruas, observando pessoas, lugares e costumes, desfaço o meu eu em coletivo e levo para minhas criações cenas que se sobrepõe e se interligam. Estou trabalhando agora com a curadora Denise Zakaib em uma exposição chamada Conexão, para o segundo semestre de 2017, aonde vou apresentar uma parte da minha produção. Estamos fazendo um recorte que ilustra meu modo de sentir e expressar a vida. Quero muito expor no Brasil, será curioso ver a reação dos brasileiros, já que é essa minha raiz e a cultura que está arraigada em minha formação.

Kultur – Muito obrigado pela entrevista e esperamos próximas contribuições!

 

 

03 de outubro de 2016
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